terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Proposta da nova “religião” ambientalista é publicada, incomoda, e some!

 
O original antes da "censura" verde.
CLIQUE PARA AMPLIAR, e em EXIBIR IMAGEM
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comentando matéria publicada pela agência ACIprensa, redigimos o post “Teólogos da Libertação desvendam segredos da nova “religião” verde”, Reputamos então a ACIprensa – e continuamos reputando – uma agência séria e respeitável.

No endereço citado constava a estapafúrdia ideia do ex-frei Leonardo Boff de que, para substituir o homem, a “Mãe Terra” estaria preparando um novo ser capaz de “receber o espírito”, que não seria outra coisa senão uma lula gigante.

Amigos peruanos que traduziram e publicaram nosso post constataram que o parágrafo sobre a “lula gigante” (“calamar gigante” no original em espanhol) anticristã e evolucionista havia desaparecido do referido endereço.

No Peru, a polêmica sobre a Teologia da Libertação vem crescendo, com poderosos apoios eclesiásticos ao renovado erro.

Conferimos que de fato houve a supressão da “lula gigante”, sem que viesse dos meios jornalísticos qualquer explicação de praxe.

Compreendemos que algum erro possa ter havido, mas não se entende a inexistência de uma indispensável explicação anexa para esclarecimento dos leitores.

Saiba mais sobre os bastidores da "religião" verde.
CLIQUE AQUI
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Além do mais, é preciso procurar muito longe os ventos com a quantidade, continuidade e força necessários para torná-las viáveis.

O procedimento de ACIprensa é próprio de quem recebeu uma pressão externa que a obrigou contra sua vontade a suprimir o texto.

Felizmente, como é nosso costume, tínhamos conservado um snapshot da página, comprovando a nossa perfeita boa fé.

Ele foi tirado no domingo, 28 de outubro de 2012, 22:54:35, e oferecemo-lo acima a nossos leitores.

Também, no cache do Google, podia-se ler a reprodução integral do artigo com a desumana teoria do “calamar gigante”.

Este cache é atualizado periodicamente, mas o original ainda existia no domingo, 25 de novembro de 2012, 18:27:38.

Para os interessados, procurar em Google a frase: “estaria preparando un nuevo ser capaz de “soportar el espíritu”, que no sería otro que un calamar gigante.” (em espanhol)


Numerosos sites e blogs em espanhol reproduziram a versão original de ACIprensa, incluindo o parágrafo completo com a ímpia teoria do “calamar gigante” do ecoteólogo marxista.

A nova "religião" verde, além do eco-marxismo libertário,
tem dimensões insuspeitadas que aparecem aos poucos,
e cumplicidades poderosas que estão assomand
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Poderíamos estampar neste post a lista desses sites e blogs com a frase denunciadora do fanatismo da reverdecida Teologia da Libertação.

Aliás, já fizemos essa lista e a enviamos via e-mail aos nossos amigos peruanos.

Porém, publicá-la poderia desencadear pressões indesejáveis e censuras sobre sites e blogs católicos bem intencionados, que lutam em geral de modo honroso e corajoso contra a falta de recursos e de apoios eclesiásticos.

Não queremos atirar sobre eles essas pressões.

Máxime nestes momentos em que a Teologia da Libertação, agora de mãos dadas com o ambientalismo radical, recupera poder, influência e intolerância, notadamente a partir das mais altas esferas eclesiásticas.


 
 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Promessa do Calvinismo Católico

A Promessa do Calvinismo Católico

J. Todd Billings*


Em 1536, um exilado da França de 27 anos dirigiu-se ao Rei católico romano Francis a respeito de um novo movimento religioso a que Francis se opunha. Este exilado se esforça para negar que o ensino do movimento é, de fato "novo" e "de nascimento recente." Ao contrário, diz o estudioso humanista, o evangelho pregado neste movimento é tão "antigo" como o evangelho de Paulo. Além disso, "se a disputa fosse decidida por autoridades patrísticas, a maré da vitória viria para o nosso lado”¹. Para o jovem Jean Calvin, a reforma da igreja provocou uma redescoberta das escrituras - e uma redescoberta da teologia bíblica dos escritos patrísticos da igreja dos primeiros cinco séculos.

 
Assim, não é de se estranhar que, à medida que o ministério e pensamento de Calvino se desenvolvia, ele fez um grande esforço para aprofundar seu conhecimento da teologia patrística e difundir esse conhecimento para outras pessoas. Em um movimento que iria agradar os anglo-católicos de hoje, Calvino promoveu a ideia radical de que os sermões de João Crisóstomo deveriam ser disponibilizados no francês vernáculo. Não apenas os estudiosos deveriam ler os pais da igreja, mas os cristãos comuns - assim como os cristãos deveriam também ler a Bíblia. Claro, Calvino não concordava com tudo o que ele leu em obras patrísticas - na verdade, isso teria sido impossível, dada a diversidade de pensamento do período patrístico. Mas a Reforma foi a restauração da teologia bíblica dos primeiros séculos da Igreja - e até o final de sua vida, com a publicação de “A Verdadeira Comparticipação da Carne e do Sangue de Cristo” - Calvino continuou a se aproximar mais e mais dos "antigos pais” dos primeiros cinco séculos, que eram “a melhor era da igreja”².


O "Católico" do "Calvinismo Católico"
 
Em nossos dias, a tradição reformada está em extrema necessidade de recuperar a dimensão católica da nossa herança. Calvino e outros reformadores, de fato, não procuraram a revisão radical de uma doutrina nicena da Trindade e  de uma cristologia calcedoniana. Ademais, a teologia sacramental de Lutero, de Calvino, e até mesmo a de Zwinglio eram muito mais próximas da teologia patrística de Santo Agostinho, por exemplo , do que o memorialismo altamente cognitivo que ocorre em muitas das igrejas reformadas hoje.


As confissões reformadas - especialmente a Belga na tradição holandesa ea  Segunda Helvética na tradição Presbiteriana - dão um lugar de destaque ao afirmar os principais ensinamentos patrísticos sobre a Trindade e Cristo. Isto não é um acidente. Não é como se os reformadores estivessem principalmente preocupados com questões de salvação e de graça, e assim eles sem pensar afirmassem a ortodoxia patrística sobre Deus e Cristo. Ao contrário, os reformadores - e a Escolástica reformada nos séculos seguintes - sabiam sobre outras alternativas. Eles não se limitaram a afirmar os primeiros concílios ecumênicos porque eram "parte da tradição" e, assim, "ortodoxos". Eles os afirmaram, porque eles acreditavam - em contraste com alguns desafios ardentes de seus contemporâneos - que os credos dos concílios eram bíblicos, e que estes credos eram, de fato, verdadeiros. Além disso, para os primeiros teólogos reformados como Calvino, essas confissões trinitárias e cristológicas ajudaram a embasar uma alta teologia sacramental, para nutrir e fortalecer o corpo de Cristo, a igreja.


A perda do “católico” no Cristianismo americano
 
O cristianismo americano tornou-se preocupado com as questões que - intencionalmente ou não - tendem a marginalizar esses elementos "católicos". Por um lado, algumas igrejas continuam a influência do revivalismo americano, colocando a doutrina da salvação no centro do culto cristão (e da teologia leiga): Você está salvo? O que significa ser salvo? Você continua a experimentar os sinais desta salvação? Salvação, graça e teologias da santificação representam o "mero cristianismo" que realmente importa. Você acredita que a Ceia do Senhor é um "sacramento" e um "meio de graça?" É melhor manter essas crenças "não-essenciais" para si mesmo, é-nos dito. Você acredita na Trindade ou nas duas naturezas de Cristo? Por um lado, estes cristãos não são suscetíveis a negar explicitamente a ortodoxia patrística acerca da Trindade ou da Cristologia. No entanto, é frequentemente assumido que estas são "doutrinas" que têm pouco impacto sobre a adoração, espiritualidade e vida do cristão comum.

Em resposta a este primeiro grupo de igrejas, outras igrejas centralizam seu foco na justiça social - uma visão dos fiéis como aqueles que trabalham para o shalom de Deus em nosso mundo. Enquanto essa resposta tem uma crítica potente ao foco estreito da salvação das almas, muitas destas igrejas minimizam o ensino "controverso" ou "particularista" sobre Deus como Trindade e Cristo como o Deus-humano. O credo não é importante - mas os efeitos práticos do credo, como o amor e a justiça, são. No final, muitos da "esquerda" eclesiástica - assim como da da direita eclesiástica da América - tem um "mero cristianismo", que é um cristianismo reduzido. A Trindade, os sacramentos, e do mistério de Cristo são feitos em um meio para um fim; o fim desejado é falar sobre o que realmente importa: a salvação pessoal ou a justiça social.


A Promessa do Calvinismo Católico

Em contraste com a polaridade distintamente americana entre a salvação pessoal e a justiça, um Calvinismo Católico remitologiza a cosmovisão cristã, recuperando as crenças e práticas dos primeiros séculos da Igreja. Assim como nunca Calvino usou o sola scriptura para reinventar o núcleo Trinitário e Cristológico da fé cristã, os calvinistas católicos se recusam a admitir que uma igreja "relevante" deve empurrar este núcleo teológico para a margem. Além disso, assim como Calvino procurou destacar a importância dos sacramentos como meios de graça para o cristão comum, os calvinistas católicos procuram restaurar o mistério nutritivo dessas práticas ordenadas por Cristo para o seu lugar central na vida da igreja.


Como se pareceria o restaurar o núcleo trinitária para o cristianismo reformado? Tal cristianismo seria compreender que o próprio Evangelho tem uma lógica trinitária: como pecadores, não sabemos, até que encontramos Jesus Cristo, que nós que Deus é um Pai misericordioso que perdoa os nossos pecados; pela fé, estamos unidos a Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo, que nos forma mais profunda e mais profundamente na imagem de Cristo. Quando nos reunimos para adoração, não estamos simplesmente dando a Deus o seu "devido", ou agindo em obediência ao mandamento divino (embora também estejamos fazendo isso), estamos encontrando a vida como ela realmente é: somos pecadores que nos encontramos gratuitamente adotados, tomados livremente por Deus, cheios do Espírito Santo, participando em Cristo. Confessamos os nossos pecados, recebemos a nutrição da Palavra e dos Sacramentos, e saimos para amar a Deus e ao próximo, em gratidão. Em tudo isso, somos capacitados pelo Espírito a participar de Cristo, para encontrar um Pai perdoador e gracioso e, simultaneamente, vamos e servimos ao próximo e ao estranho.


Assim, nós não servimos  à distância a um Deus fechado em si mesmo, ou de perto a um Deus domesticado, mas servimos a um Deus que nos buscou e nos levou para dentro da própria vida Triuna. Nós trazemos nossos egos e relacionamentos quebrados para a comunhão perfeita do Deus Triuna, sendo preenchidos com o Espírito como filhos adotivos do Pai.. Deus não nos deu um mundo e, em seguida, deixou-nos a nós mesmos. Nós não somos teístas genéricos, que servem a um indefinido Deus Todo-Poderoso. Estamos presos no mistério do amor trinitário de Deus, que escolhe existir em comunhão com um povo quebrado e pecador que ele reclama.

 
Este amor Triuno mostra-se mais plenamente no mistério de Cristo - a encarnação do Verbo, a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ao recuperar a lógica encarnacional do Calvinismo católico, vemos como é errado definir a ação divina em dura oposição à agência humana. Deus e a humanidade não são opostos. Pelo contrário, no mistério da união da divindade e humanidade de Cristo, vemos como ser totalmente humano é, de fato, concordante com ser totalmente Deus. Vemos como enquanto pessoas que estão "em Cristo," morrendo para nossos velhos egos, não estamos perdendo a nossa identidade verdadeira, ou perdendo a nossa humanidade à medida que crescemos na piedade. Em vez disso, estamos descobrindo quem fomos criados para ser - povo em comunhão com Deus. Na verdade, a doutrina reformada da eleição pode ser visto como um desenrolar profundo do mistério da encarnação: só através do trabalho gracioso do Espírito as capacidades humanas podem funcionar como deveriam funcionar, porque a humanidade só é animada e energizada quando está em comunhão com Deus.

 
Além disso, a alta teologia sacramental do século 16, representada por Calvino, fornece uma maneira de viver profundamente esta teologia trinitária e cristológica. A Palavra é lida, a Palavra é pregada. Então, na Ceia do Senhor, os crentes participam de Cristo, a Palavra, pelo Espírito. A Ceia do Senhor não é simplesmente sobre a memória. Por um lado, a crentes da Ceia do Senhor se lembram do sacrifício suficiente da cruz de Cristo para o perdão dos pecados. No entanto, a Ceia do Senhor é também sobre alimentação, sobre nutrição - receber o que Cristo prometeu, pelo poder do Espírito. Para que isso seja inteligível, principais características da cristologia Reformada, deve estar operante - que Cristo é uma pessoa com naturezas divina e humana, ascendeu ao céu e é glorificado. Na Ceia do Senhor, os crentes provam o céu, não como místicos solitários, mas no amor da comunidade e para com o próximo em necessidade. Calvino não somente desejava que a comunhão fosse celebrada semanalmente, ele e Bucer desejavam que esmolas fossem dadas aos pobres a cada celebração da Ceia do Senhor³. Por que? Porque a Ceia - como a vida cristã - é sobre a participação em Cristo, à luz de Mateus 25:31-46, essa participação significa ver Cristo no estrangeiro e nos marginalizados4.

 
Assim, a ascensão dos crentes ao céu no receber a Eucaristia - a participação na ascensão do Deus-humano - não é fuga deste mundo. A alta teologia eucarística nos traz de volta ao mundo, de volta para o próximo em necessidade. Além disso, nesta ascensão eucarística, a Igreja descobre quem ela é. Como Agostinho escreveu: "Se vós, portanto, sois o corpo e membros de Cristo, é o vosso próprio mistério que é colocado sobre a mesa do Senhor! É o vosso próprio mistério que estais recebendo!"5. A igreja é o corpo de Cristo na terra - que é precisamente o que os crentes recebem na Ceia: comida para serem quem são, o corpo de Cristo no mundo.

 
Teologia trinitária não é menos central para o sacramento do batismo. No batismo, os crentes são unidos a Cristo pelo Espírito para servir ao Pai. Este ato de batismo não é apenas um ato de uma só vez capturado no tempo - ele se estende pelo tempo, porquanto toda a vida dos crentes são respostas à iniciativa do Espírito no batismo. Assim, a chave para a teologia de Calvino do batismo era Romanos 6:3-8 - que o batismo é uma imagem para o nosso velho ser crucificado com Cristo, de modo que somos feitos "vivos para Deus em Cristo Jesus" como aqueles que vivem vidas batizadas, participamos da morte e da ressurreição de Cristo. O batismo não é apenas um discreto evento passado, mas é um mistério que experimentamos diariamente. À medida que morremos para o pecado e vivemos para Cristo nos tornamos o povo da aliança que fomos criados para ser. Assim como na Ceia do Senhor, nos afastamos de nossa identidade falsa para a nossa verdadeira identidade - em Cristo, apanhados na vida Triuna - no batismo, diariamente nos afastamos de nossos falsos eus, para nosso verdadeiro eu. Assim, participamos do plano da aliança de Deus: eleger um povo pelo Espírito para estar em Cristo, levando o evangelho ao mundo.

Em conclusão, por que falar de um "calvinismo católico"? Eu escolho falar desta maneira, porque ela destaca o que está faltando em muitos entendimentos do Cristianismo reformado: a teologia trinitária, cristológica e sacramental sobre a qual a teologia reformada clássica tem grandes dívidas para com a reflexão patrística. O termo "católico" capta um pouco do que foi perdido pelas Igrejas Reformadas à "esquerda" e à "direita" que caíram em um "mero cristianismo", que é um cristianismo reduzido. Se o Cristianismo reformado na América deverá se recuperar dos reducionismos paralisantes do Iluminismo, ele deverá recuperar as riquezas da tradição Reformada pré-moderna - a partir da tradição teológica patrística que Calvino e muitos teólogos reformados posteriores tanto admiravam.


Notas:

1Calvin, Institutes, 1536 edition, translated by Ford Lewis Battles. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1986, 5-6.
2 Ibid.
3 Ver Elsie McKee, John Calvin on the Diaconate and Liturgical Almsgiving. Genève: Librairie Droz, 1984. Na freqüência da Ceia do Senhor, as práticas  reformadas e católicas romanas sofreram uma inversão irônica: no século 16, a maioria dos católicos romanos apenas recebiam a comunhão uma vez por ano, e então em apenas um tipo. Calvino e Bucer defendiam uma celebração semanal para restaurar a centralidade da efetiva recepção do sacramento para o crente comum. Hoje, a situação se inverte. Católicos celebram a missa semanalmente, enquanto igrejas reformadas geralmente celebram trimestral ou mensalmente.
4 Ver McKee, 50.
5 Tradução de Agostinho, por Nathan Mitchell na Assembléia 23 (1997) 14.

J. Todd Billings é professor assistente de teologia reformada no Western Theological Seminary  em Holland, Michigan (EUA) e autor de Union with Christ: Reframing Theology and Ministry for the Church (Baker Academic),.



Original: Perspectives 2006  http://www.rca.org/page.aspx?pid=2996
 
Fonte:
 
 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sobre a racionalidade da religião, segundo a Melanie Phillips (Há controvérsias! Porém o debate está aberto - Prof. Luis Cavalcante)

Sobre a racionalidade da religião, segundo a Melanie Phillips

by O. Braga
So why do I make this counter-intuitive suggestion that Judaism gave rise to rationality?
The popular belief is that the roots of reason and science lie in ancient Greece. Now undoubtedly Greece contributed much to modernity and to the development of Western thought down the ages. Nevertheless, in certain crucial respects Greek thinking was inimical to a rational view of the universe. The Greeks, who transformed heavenly bodies into gods, explained the natural world by abstract general principles.
By contrast, science grew from the novel idea that the universe was rational; and that belief was given to us by Genesis, which set out the revolutionary proposition that the Universe had a rational Creator.
Quando leio uma coisa escrita por alguém com autoridade de direito, e com que não concordo, começo a ficar inquieto; tipo, nervoso miudinho.
Deste textoda conhecida colunista britânica
Melanie Phillips, anui com tudo até que cheguei ao trecho supracitado.

As culturas cristãs protestantes têm a tendência para valorizar mais a influência do Judaísmo na religião cristã do que a influência da filosofia grega pós-socrática. Uma característica do Luteranismo e sobretudo do Calvinismo é a sobrevalorização do Antigo Testamento (Judaísmo) com algum detrimento em relação ao Novo Testamento, e sobretudo em relação à influência da filosofia grega na religião cristã. Esta sobrevalorização do Antigo Testamento ainda hoje é visível na cultura protestante dos Estados Unidos.
O Catolicismo tem a vantagem de ser mais equilibrado na aceitação das duas influências (Judaísmo e filosofia grega), por um lado, e outra vantagem de ter assimilado, mediante uma diferenciação cultural, a necessidade de simbolismo religioso que sempre acompanhou qualquer tipo de religião desde que o Homem surgiu. A hipostasia — por exemplo, a imagética religiosa — sempre fez parte de qualquer religião, e até as actuais religiões políticas não podem viver sem ela.
Na civilização grega, nem toda a gente “adorava os astros como deuses” — como escreve a Melanie Phillips. Os pitagóricos, por exemplo, tinham uma visão religiosa, racional e matemática do universo.
O grego Xenófanes, que nasceu 570 anos antes de Cristo e viveu e morreu antes de Sócrates, travou uma “guerra” aberta contra o antropomorfismo dos deuses gregos e pagãos. Dizia ele que “os homens crêem que os deuses tiveram nascimento e possuem uma voz e um corpo semelhantes aos seus, pelo que os etíopes representam os seus, negros e de narizes achatados, os Trácios dizem que têm olhos azuis e cabelos vermelhos”. Na realidade, dizia ele, “há só uma divindade que não se assemelha aos homens nem pelo corpo nem pelo pensamento”. Portanto, o grego Xenófanes já dizia, 500 anos antes de Cristo, que “só há uma divindade”.
Depois, com Sócrates, Platão, Aristóteles e com os estóicos, a ideia racional do “primeiro motor” foi aceite como axiomaticamente lógica. Portanto, dizer que não houve racionalidade nas crenças e na mundividência da Grécia antiga, e que essa racionalidade apenas se pode encontrar na Bíblia, é um sofisma da protestante Melanie Phillips que é
casada com um judeu.

Outra imprecisão de Melanie Phillips é a seguinte:
“The other vital factor was the Bible's linear concept of time.

This meant history was progressive; every event was significant; experience could be built upon. Progress was thus made possible by learning more about the laws of the universe and how it worked.”


A concepção linear do tempo [histórico] só surgiu no Judaísmo depois do exílio das elites judaicas para Babilónia, também chamado de
“cativeiro babilónico”— que teve a primeira leva em 598 a.C., ou seja, vinte anos antes de Xenófanes nascer. O cativeiro babilónico terminou cerca de 530 a.C., com a queda da Babilónia.
Portanto, só a partir dos profetas escatológicos (Jeremias), anunciando um futuro paradisíaco e promissor (a imanência da certeza do devir que caracteriza também a mente revolucionária moderna), passou a existir o tempo linear e histórico no Judaísmo. Ou seja, o tempo linear e histórico não é uma característica intrínseca do Antigo Testamento, e muito menos do Génesis: antes do exílio, o tempo do Judaísmo era cíclico, como acontecia em qualquer outra cultura coeva — e ainda hoje acontece, de forma mais ou menos impositiva, não só em muitas culturas do planeta como até permanece recôndita na cultura contemporânea do Ocidente.
A cultura grega teve o condão de "temperar" o Catolicismo, por um lado, e de introduzir a exegese na leitura e interpretação Antigo Testamento e do Novo Testamento, por outro lado. E ainda conseguiu reificar em si a necessidade da hipostasia inerente à condição humana. Por isso é que eu considero o Catolicismo a religião mais racional que existe; e talvez por isso é que seja mais fácil converter um protestante ao ateísmo do que fazê-lo em relação a um católico.
 
 
O. Braga | Quarta-feira, 17 Outubro 2012 at 8:15 pm | Tags: ateísmo, calvinismo, catolicismo, cristianismo, Judaísmo, luteranismo, Racionalidade, religião | Categorias: cultura, Religare, Ut Edita | URL: http://wp.me/p2jQx-dvc
 
 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O absurdo das ciências das religiões

O absurdo das ciências das religiões

by O. Braga

«A religião é [segundo David Hume] uma emergência histórica, “surgida num segundo momento”, separado do reconhecimento racional da existência de um autor inteligente da natureza e do cosmo. Não existe, segundo Hume, uma religião natural, cuja universalidade seria comparável à dos instintos humanos comuns.»
in "As Ciências das Religiões", Giovanni Filoramo e Carlo Prandi, 1945 (página 59)
O livro de que retirei a citação supra tem 300 páginas e pretende abordar as “ciências da religiões”.
Contudo, ao longo das suas 300 páginas, o livro não explica absolutamente nada acerca das religiões: apenas se limita a transcrever a opinião de gente como David Hume. É isto que é considerado como “ciências das religiões”.
O paradoxo da ciência, em termos gerais, é que afirma que explica os fenómenos — e as pessoas acreditam. Mas qualquer espírito esclarecido pode verificar que a ciência não explica nada, porque explicar uma coisa significa conhecer racionalmente as causas fundamentais dessa coisa. O que a ciência faz é apenas e só tentar, dentro do possível, descrever os fenómenos.
David Hume é muito importante para as “ciências das religiões”, devido às suas posições não só moralmente cépticas e subjectivistas, mas também até por uma certa posição anti-religiosa. E uma das razões da posição anti-religiosa de David Hume poderá talvez estar no facto de ele ter sido homossexual. Agora, imaginem quais as consequências, para uma sociedade, da existência de um movimento político homossexual organizado e com a enorme influência política que tem hoje.
O que David Hume quer dizer, fazendo eu aqui uma analogia, é que “o ovo surgiu antes da galinha”.
Ele separa o ser humano, por um lado, da sua condição religiosa endógena, por outro lado, quando diz que a religião surgiu num “segundo momento” depois do aparecimento do ser humano. E depois, David Hume confunde “diferenciação cultural”, que está subjacente a toda a história do ser humano e em todos os seus aspectos [“história” aqui com o sentido abrangente que engloba os documentos humanos não-escritos da pré-História], por um lado, com “emergência ontológica”, por outro lado — “emergência histórica” que é entendida como algo que não existia ontologicamente no ser humano logo que este surgiu como tal. E, por último, confunde “expressão cultural da religião”, por um lado, com a religião propriamente dita, por outro lado.
A ideia segundo a qual “a religião surgiu pelo medo que o ser humano tinha dos raios, coriscos e trovões”, é de uma burrice e de um simplismo atrozes [tudo em nome da “ciência”]. E a ideia segundo a qual “o culto dos mortos é a causa da religião”, é outra burrice. Em ambos os casos confundem-se — propositadamente, penso eu — as causas, os meios e os fins. Por exemplo, o culto dos mortos não é a causa da religião, mas apenas um meio de expressão religiosa. E a “expressão da religião” não é uma mera expressão por via da linguagem, porque o animais irracionais [animal, neste contexto, deve ser entendido como irracional] também se exprimem mediante a sua linguagem própria.
Ao contrário do que a “ciência” diz, a linguagem humana não foi uma “invenção do Homem” nem decorreu da “evolução por selecção natural mediante pequenos passos”. Os órgãos físicos e a estrutura física global do ser humano, que permitem a linguagem humana, não podem ser explicados objectivamente à luz da evolução darwinista : não há nada anterior ao Homem, na “árvore da vida” darwinista, que possa sustentar racionalmente a tese da evolução da linguagem de um animal para a linguagem de um ser humano.
A (I) expressão é uma das características da linguagem humana, mas também é comum aos animais; (II) a comunicação é outra característica comum a animais e seres humanos; (III) o simbolismo também existe nos animais (por exemplo, os símbolos físicos que iludem os predadores, ou os símbolos que favorecem o acasalamento) e nos homens; a diferenciação, inexplicável pela ciência, entre animais e o Homem, surge com a (IV) função representativa [Karl Bühler] de frases que descrevem um estado de coisas objectivo que podem, ou não, corresponder à realidade dos factos — as proposições podem ser verdadeiras ou falsas. E acresce-se a (V) função argumentativa que só existe na linguagem humana e decorre da função representativa da linguagem humana.
A função representativa da linguagem humana decorre da consciência e da autoconsciência que só o ser humano tem. Dizer que “a religião surgiu num segundo momento da história do ser humano” é a mesma coisa que dizer que “a consciência e a função representativa do ser humano surgiu num segundo momento da existência do Homem”. É uma contradição em termos.
 
 
O. Braga | Quarta-feira, 19 Setembro 2012 at 2:01 pm | Tags: Cientismo, metafísica | Categorias: ética, Ciência, cultura, filosofia, religiões políticas, Ut Edita | URL: http://wp.me/p2jQx-daJ
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Estupidez Americana - Tom Holland e desconstrução do Islamismo

Tom Holland e desconstrução do Islamismo

by O. Braga

O embaixador dos Estados Unidos na Líbia foi assassinado pela turba islâmica protestando contra o documentário do realizador americano Tom Holland, com o título Islam: the Untold Story.
Segundo fiquei a saber, Holland refere no seu comentário que (1) Maomé não existiu; (2) que o Alcorão foi sendo escrito ao longo do tempo (ou seja, o Alcorão não surgiu no princípio da religião islâmica); e (3) que o próprio Islamismo foi-se moldando ao longo do tempo, ou seja, não teve propriamente uma formatação definitiva coincidente com a vida de Maomé que o próprio Holland diz que não existiu.
A existência histórica de Maomé é um facto documentado não só pelos muçulmanos do seu tempo, mas essencial e principalmente por documentos cristãos e europeus de finais do século VII e princípio do século VIII. Portanto, podemos dizer com toda a pertinência que Holland, para além de burro, é estúpido. No entanto, qualquer merda americana que apareça nos me®dia é automaticamente aceite como sendo verdadeira.
Porém, o que já não podemos provar ou demonstrar é que o Alcorão tenha sido escrito pelo próprio Maomé. Mas também não podemos provar ou demonstrar que o Alcorão não foi escrito pelo próprio Maomé. E, vai daí, a estupidez tipicamente americana assume como verdadeira uma das duas hipóteses que não são passíveis de demonstração, dando como verdadeira aquela que mais convém a um certo lóbi político de Hollywood.
O terceiro ponto, ou seja, que “o Islamismo foi-se moldando ao longo do tempo”, é a única menção verdadeira do documentário de Holland, porque se trata de uma verdade de La Palisse. Os americanos, herdeiros da corrente filosófica pragmatista, adoram as verdades de La Palisse; por exemplo, a seguinte proposição pragmatista: “o sol nasce a oriente porque não nasce a ocidente”. Perante uma constatação de facto como esta, os pragmatistas americanos exultam e rejubilam.
No meio disto tudo, aconteceu o pior: o documentário de Holland foi censurado na televisão inglesa, um embaixador americano e outras pessoas morreram na Líbia, Obama pediu desculpa aos muçulmanos pelo documentário [ao mesmo tempo que ameaça restringir a liberdade religiosa dos cristãos nos Estados Unidos] — tudo porque um ente sacrossanto de Hollywood se armou em historiador.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Casamento” homossexual: um assunto político e religioso

Casamento” homossexual: um assunto político e religioso

Nilo Fujimoto

Os fatos revelam que a agenda homossexual nos EUA é imposta de cima para baixo. Apenas através dos poderes judiciários dos estados e da união é que medidas de caráter antinatural como o aborto e casamento homossexual são aprovadas, pois, de 32 referendos sob o “casamento” homossexual nenhum deles resultou na aprovação.

Desse modo, é crucial ao lobby homossexual vencer ao menos um desses referendos para conseguir que a mídia espalhe que se trata de uma causa popular ou democrática. Assim, a batalha que se desenvolve no Estado de Washington com relação ao referendo sobre o “casamento” homossexual tem tido colaboradores multimilionários que favorecem o “sim”.

P. J. Ginés no site ReligionenLibertad.com (1) descreve que a luta entre movimentos religiosos e movimentos homossexuais assemelha-se à luta entre Golias e Davi. Enquanto Golias é amparado pelos milionários dos EUA, como exemplo o fundador da Amazon.com que doou para o lobby homossexual 2,6 milhões de dólares, Davi é representado pelas paróquias católicas que não podem recolher donativos diretamente para causas políticas.

O motivo do impedimento é alegado pela porta-voz da Public Disclossure Commision no episódio em que o Bispo Joseph Tyson enviou uma carta a seus diocesanos pedindo-lhes para distribuir envelopes de donativos para a campanha “Preserve Marriage” entre seus paroquianos.

Há quem alegue que arrecadar fundos, para uma causa política, invalida, para efeitos fiscais, o caráter de entidade religiosa.

Discordamos, pois, o casamento é uma questão de esfera de competência mista. Trata-se de um contrato que envolve consequências de ordem civil e moral. Tratando-se de sucessão, patrimônio, guarda dos filhos, etc. isso é regulado pelo direito civil. Porém, das consequências morais do ato do casamento é de competência da Igreja reger. Por isso não é licito aos membros da hierarquia católica se omitir nessa problemática do referendo.

Para maior fundamento, recorro ao luminoso arcabouço doutrinário do pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira. No artigo intitulado “Posição do ‘Legionário’ em face da política brasileira”, publicado no jornal Legionário, Nº 265 de 10 de outubro de 1937, ele escreve o seguinte:

“A subordinação da política à moral (2), implica pois, numa subordinação da política à Religião. Mas no seu campo próprio, a política constrói todo um edifício feito de material estranho à doutrina e à ação da Igreja. Não se pode, no entanto, separar a política da moral, da religião, como fez Maquiavel e como fazem os liberais, os socialistas, os adeptos do Estado totalitário, mas não se pode também estabelecer os princípios próprios da ciência política, isto é, da administração ou do governo, com princípios morais ou religiosos.

Não existe, pois, uma política teológica, mas há uma teologia política e na medida em que a política se subordina a esta, como deve ser, ela pode ser dita mais ou menos católica.

“Assim fica, também resolvido o problema de saber se a Igreja tem uma doutrina política. Sim, se por doutrina política entendermos os princípios que remotamente norteiam a ação dos governos, ou seja, princípios de ordem moral (teologia moral) aos quais se deve subordinar a ciência política para não cair nos erros do naturalismo político. Não, se por doutrina política entendermos um sistema completo de organização do Estado e do governo.”

(1) Cfr.: Referendo homossexual nos EUA: multimilionários contra paróquias, e com leis anticoletas

(2) A moral tem por objeto a ordenação da atividade humana para o seu fim último. As outras ciências práticas tratam de aspectos parciais da atividade humana. A economia por exemplo, estuda a atividade humana na ordem dos interesses materiais. Como os diversos fins que o homem pode ter em vista com a sua atividade se subordinam ao fim último, assim também as ciências que deles tratam (política, economia, direito, etc.) se subordinam à moral.


Fonte: http://ipco.org.br/home/noticias/casamento-homossexual-um-assunto-politico-e-religioso



 

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